
Aproveitamento dos solos
Antigamente (até meados do séc. XX) praticava-se agricultura tradicional de tipo familiar em regime policultura, no entanto a partir do séc. XX, devido ao aumento exponencial da população, surgiram empresas agrícolas que ocuparam grandes áreas, utilizando trabalho mecanizado e dedicando-se à produção de uma única espécie vegetal, isto é, fazendo uma agricultura industrializada com monocultura intensiva.

Agricultura Tradicional é cultivo de pequenas áreas em regime de policultura, com utilização de técnicas que preservam a rentabilidade do solo.
Agricultura Intensiva utiliza grandes áreas de cultivo, em regime de monocultura, isto é, cultivo de uma única espécie.


Atualmente, têm surgido alternativas no sentido de obter alimentos para uma população em crescimento, sendo uma delas a agricultura biológica que se baseia no equilíbrio dos ecossistemas agrários.
Esta tem por objetivo conciliar a exploração agrícola com a preservação do ambiente - neste sistema de produção alimentar não é permitida a utilização de fertilizantes sintéticos, de pesticidas e de hormonas de crescimento.
Aqui encontras um documento acerca dos diferentes tipos de agricultura
Vídeo acerca dos sistemas de agricultura mais sustentáveis do mundo

Cultivo de plantas
Existem diversos métodos que permitem o melhoramento do cultivo de plantas.
Reprodução Seletiva

Vantagens:
Obter produtos de melhor qualidade;
Melhorar as capacidades de reprodução, e consequentemente, obter descendências mais numerosas;
Obter variedades resistentes a doenças e parasitas.
Desvantagens:
Processo lento;
Apenas permite combinar características de indivíduos da mesma espécie ou de espécies relacionadas;
As variedades resultantes podem não sobreviver durante tempo suficiente para se reproduzirem, devido a pragas e doenças.
Propagação vegetativa
Este processo permite a obtenção de clones de plantas com as características pretendidas por reprodução assexuada. O sucesso desta técnica está relacionado com o facto das plantas possuírem uma grande capacidade de regeneração, devido à totipotência de algumas das suas células.
Esta pode ser efetuada através de mergulhia, estaquia, alporquia ou enxertia.
Clonagem in vitro e Clonagem por Micropropagação
Este processo permite a criação de um organismo geneticamente idêntico ao progenitor. É rápido, homogéneo e econômico, porém reduz a diversidade da espécie e a sua resistência a elementos adversos.

Vantagens:
Proteção das culturas contra as doenças;
Taxas de multiplicação e crescimento superiores ao normal;
Controlo de fatores ambientais adversos;
Permite a realização de pesquisas de melhoramento genético;
Obtenção de grandes quantidades de compostos a custos reduzidos - é a partir do seu metabolismo que as plantas produzem substâncias químicas com propriedades farmacológicas;
Redução do espaço necessário ao crescimento;
Propagação de espécies de difícil reprodução;
Regeneração de plantas através de protoplastos
Os protoplastos são células vegetais que, devido a processos enzimáticos não possuem parede celular, logo é mais fácil introduzir DNA estranho nestes organismos.
Quando colocados num meio de cultura em condições assépticas, é possível regenerar plantas completas através de protoplastos, no entanto o sucesso desta técnica é influenciado pelo genótipo e pelo tipo de tecidos utilizados para o isolamento.
Também podem ser utilizados para obter plantas híbridas, através da fusão de protoplastos.
Clica na imagem para acederes a um vídeo sobre a clonagem nas plantas e a regeneração de plantas através de protoplastos.
Engenharia Genética no melhoramento de plantas

Os progressos inicialmente verificados no melhoramento das plantas surgiram há muito tempo, contudo nas duas últimas décadas ocorreu um grande avanço, com o começo da aplicação da tecnologia do DNA recombinante que possibilitou a manipulação do genoma.
Desta forma, foi possível isolar certos genes e transferi-los para o genoma de outro organismo, transformando-o. Esta transformação genética é chamada transgénese e está por detrás do processo que conduz à obtenção de organismos geneticamente modificados (OGM).
Muitos OGM são planeados tendo em vista a exploração agrícola. A planta melhorada é tipicamente uma planta de cultura e o gene transferido tem interesse agronómico.
As plantas transgénicas apresentam características que facilitam o melhoramento genético:
Ciclo de vida curto, o que permite uma seleção rápida de novas características;
Podem ser autofecundação, permitindo a fixação de uma nova característica introduzida;
Produzem numerosa descendência, o que permite o aparecimento de mutações, aumentando a diversidade e as probabilidades de sobrevivência

Clica aqui para aceder a um documento onde está explicado de forma completa o cultivo das plantas

Criação de animais
Existem diversos métodos que permitem o melhoramento da criação de animais.
Reprodução Seletiva
Tal como nas plantas, este processo é utilizado a milhares de anos de modo a obter indivíduos mais saudáveis e capazes de oferecer produtos em maior quantidade e qualidade, apresentando desvantagens muito semelhantes.

O método "tradicional" consiste em, por exemplo, cruzar animais dóceis, bons produtores e bastante férteis, mas suscetíveis a determinada praga, com uma variante da mesma espécie resistente à praga. Desta forma a descendência obtém as características requeridas para a maximização das suas capacidades produtoras e de sobrevivência.
Nos animais, a reprodução seletiva foi facilitada com o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial e a fertilização in vitro.
Clonagem
A clonagem de animais, como ovelhas ou coelhos, pode ser conseguida através da fecundação in vitro seguida da divisão e transferência de embriões. Embora diferente, o processo apresenta as mesmas vantagens e desvantagens da clonagem nas plantas.

processo de clonagem de uma ovelha
Clica aqui para visualizar um vídeo sobre a reprodução seletiva e a clonagem em animais.
Engenharia genética na criação de animais
Animais transgénicos são animais cujo genoma foi modificado. As técnicas mais utilizadas são:
Injeção por retrovírus;
Microinjeção no pró-núcleo masculino
Trangénese mediada por células ES
A transgénese animal foi realizada pela 1ª vez com sucesso, em 1982, quando uma equipa de investigadores obteve ratos geneticamente modificados. Estes animais são utilizados como modelos para a produção e testagem de medicamentos, transplantes de órgãos para seres humanos e para o estudo de doenças humanas.
Consequências do desenvolvimento de técnicas agropecuárias
A criação de animais destinados à alimentação humana em espaços confinados e densamente ocupados, como aviários e suiniculturas, permite produzir grandes quantidades de carne em pouco tempo, mas recorre, geralmente, à utilização de substâncias com efeitos adversos sobre a saúde humana, tais como:

Antibióticos: previnem doenças e inibem o crescimento de bactérias da flora intestinal, o que permite canalizar os nutrientes exclusivamente para o crescimento do animal. Aumentam os riscos de reações alérgicas e de desenvolvimento de resistências em seres humanos;
Hormonas: permitem aumentar a produção de massa muscular, conferindo ao animal maior peso. No entanto, os compostos fornecidos aos animais podem não ser destruídos durante a preparação dos alimentos e, eventualmente, originar dioxinas, que são potencialmente tóxicas e cancerígenas;
Farinhas de origem animal: permitem aumentar a quantidade de proteínas na alimentação do animal, mas podem introduzir desequilíbrios;
Efeitos nefastos sobre o ambiente: pois implica grande consumo de água, libertação de grandes quantidades de gás metano;
Neste documento está explicado de forma completa os processos de criação de animais
Trailers de documentários acerca do impacto da agropecuária e aquicultura


